Crianças em situação de risco e a PM do Rio de Janeiro

O Brasil já se acostumou, infelizmente, a ver nos noticiários as barbáries que acontecem no Rio de Janeiro, embora tenhamos bastante violência em todas as regiões do país. No entanto, era comum vermos apenas os crimes cometidos pelos mais pobres contra os mais ricos; atualmente, debates têm sido levantados sobre o outro lado da moeda: a violência contra pessoas em situação de risco socioeconômico cometida por quem deveria protege-las; especialmente os que colocam crianças em situação de risco.

Crianças em situação de risco e a PM do Rio de Janeiro

Casos de crianças em situação de risco

Quando é um acidente

            O Rio é recordista de uma triste estatística: 60% das crianças assassinadas em decorrência de ação policial no Brasil entre 2001 e 2012 morreram em território fluminense, segundo dados do Ministério da Saúde. O Ministério afirma que a maioria das ocorrência não foi intencional e aconteceu durante intervenções que estão em conformidade com a lei, como detenções, por exemplo. Ainda assim, não se divulgaram as especificidades de cada caso.

Apesar das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas, há lugares, como o Complexo do Alemão, onde os tiroteios são praticamente diários. Infelizmente, as medidas do governo para melhorar a segurança acabam, por vezes, resultando também em tragédia.

 

Quando é a polícia que comete o crime

            Ainda mais sensibilizantes são as situações em que os homicídios não são bem uma fatalidade. Um exemplo recente foi a morte do jovem Alan de Sousa Lima, de 15 anos, em fevereiro deste ano. Ele brincava com colegas quando dois agentes da PM dispararam contra ele e os colegas. Alan filmou com o celular os disparos e a própria morte; no vídeo, um dos policiais pergunta por que eles correram, e um dos meninos responde que estavam apenas brincando. Não houve confronto algum que justificasse os disparos. Tudo isso, numa visão ampliada, por conta da omissão de um estado que se faz presente apenas pelas suas forças policiais. O que acaba por criar um clima de guerra, onde casos como esses são apenas efeitos colaterais.

 

Há solução?

            É preocupante quando as crianças em situação de risco são vítimas da instituição que deveria zelar por sua segurança. É preciso que haja mais preparo para o policial que lida com comunidades pobres, além de políticas por parte do governo para o desenvolvimento dessas áreas e prevenção contra a violência. É inadmissível que crianças tenham suas vidas interrompidas por “serem confundidas com traficantes”. O que no contexto em que estão inseridas, lhes dão poucas opções de crescerem de foram saudável e promissora. Continuamos  batendo na mesma tecla: “O Estado não é só Polícia!”, quando isso ocorre as chances de erro são potencializadas.

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