Defesa de estudante agredido em protesto entrega lista de testemunhas para polícia

Defesa de estudante agredido em protesto entrega lista de testemunhas para polícia

Delegado apura se capitão da Polícia Militar cometeu abuso de autoridade ao agredir Mateus da Silva. Manifestante deixou hospital após 13 dias internado, em Goiânia.

O advogado do estudante Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, agredido durante uma manifestação em Goiânia, encaminhou à Polícia Civil uma lista com nomes de nove testemunhas do fato. A corporação apura se o capitão da Polícia Militar Augusto Sampaio de Oliveira agiu com abuso de autoridade.

“Posso e devo colaborar para esclarecer a autoria, a materialidade e provas. São pessoas do meio universitário, da sociedade, que estavam ali próximo ao fato”, disse o advogado Pedro Sérgio dos Santos, nesta segunda-feira (15).

A investigação corre no 1º Distrito Policial de Goiânia. Procurado pelo G1, o delegado responsável pelo caso, Izaías de Araújo Pinheiro, não atendeu às ligações até a publicação desta reportagem para informar sobre o andamento do processo.

À TV Anhanguera, os investigadores informaram que analisam imagens de câmeras de segurança da região. Eles colheram o material registrado entre as 10h e 14h do dia da manifestação contra as reformas trabalhista e da previdência, 28 de abril.

Durante o ato, mascarados entraram em confronto com policiais militares, momento em que o estudante foi atingido e ficou caído no chão. O capitão saiu correndo. Já o rapaz recebeu os primeiros socorros de outros manifestantes.

Um vídeo mostra em detalhes o momento em que Mateus levou o golpe no rosto (assista abaixo). Fotos também registraram a agressão. O impacto foi tão grande que o cassetete quebrou com a pancada.

Internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) desde então, Mateus recebeu alta médica na última quinta-feira (11). Apesar de deixar a unidade de saúde, o depoimento dele ainda não tem data definida, pois o estudante segue em repouso e deve passar por uma cirurgia nesta semana.

Nova cirurgia

O cirurgião buco-maxilo-facial Gustavo Rocha foi um dos profissionais que participou do primeiro procedimento do paciente, logo após a internação dele. Ele afirma que uma “estratégia cirúrgica” está sendo montada para verificar o que será feito agora.

“Ainda não está definido que tipo de procedimento ele vai fazer. Vamos fazer uma junta médica para decidir como será a cirurgia e conversar ainda com a família. Ele está absolutamente bem. A recuperação dele está indo bem, ele também se recuperou rapidamente da pneumonia, mas temos que avaliar a situação ainda”, disse o médico ao G1.

Enquanto espera pela nova operação, Mateus fica com familiares em um apartamento alugado na capital. A irmã dele, Heloísa Ferreira da Silva, 28 anos, afirmou estar aliviada com alta dele, mas que também se preocupa com os riscos da nova cirurgia.

“Apesar da alta, ainda estamos um pouco tensos pela cirurgia que ele deve passar para colocar uma espécie de placa na testa. Ainda não acabou, é uma reparação estética, mas também funcional. Por ser uma cirurgia, não tem como não ficar preocupada”, disse ao G1 quando o irmão teve alta.

Inquérito Policial Militar

O comandante geral da PM-GO, coronel Divino Alves de Oliveira, explicou que o capitão Sampaio foi afastado do patrulhamento das ruas no dia 1º de maio e ficará exercendo apenas atividades administrativas enquanto o Inquérito Policial Militar que investiga a conduta dele não é concluído.

“Houve excesso, não há como fugir a esta situação, houve o excesso na ação praticada por esse policial militar e, em decorrência disso, o comando da instituição instaurou o inquérito policial militar que irá apurar as responsabilidades”, disse o coronel à TV Anhanguera.

Em nota, a corporação explicou que instaurou o procedimento “diante das imagens que circulam em redes sociais, quando da intervenção policial militar, que mostram a clara agressão sofrida” pelo estudante.

O advogado de Mateus disse que a PM está “se negando a fornecer as cópias do inquérito” e já tomou providências para saber “por que o estado esta ocultando provas” dele.

Procurada pelo G1, a corporação não se posicionou até a publicação desta reportagem sobre a reclamação do advogado. Porta-voz da PM, o tenente-coronel Ricardo Mendes reforçou que o inquérito “se encontra dentro do prazo previsto por lei para a sua conclusão”.

O secretário de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, disse em entrevista coletiva, no dia 2 de maio, que acompanhará de perto o Inquérito Policial Militar (IPM) que apura a conduta do policial que praticou a agressão. Ele destacou ainda que as ações são isoladas da conduta geral da PM, mas que os responsáveis devem responder pelos atos.

“Vamos usar todo rigor na apuração, obviamente com o direito à defesa […]. Sem leniência, sem passar a mão por cima, sem fazer de conta que não aconteceu. Obviamente, estamos diante de um caso muito grave, que tem que ser gravemente apurado e, comprovadas as culpas, gravemente punido”, afirmou.

Novo vídeo mostra detalhes de agressão cometida por PM contra estudante, em Goiânia

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